A Magia da Prece

Numa oração destaca-se a Magia
Quando a fazemos com. total fervor.
Não são bem as palavras que dizemos,
Mas as que fala nosso interior.

Se a fé desperta em nosso Eu profundo,
Ela produz numa alma fervorosa,
A fonte divina de inspiração
Que toma a mente humana poderosa.

É prece que une nossa mente
Ao mistério que expressa o coração.
Isto se dá se esquecemos o mundo,
Pra ter o pensamento na Amplidão.

Jesus nos mostra todo seu carinho
Ao ensinar que somente isolados,
O Pai, que vive em nós como centelha,
Nos toma, pela prece, iluminados.

Daí não dar valor às ostensivas
Palavras soltas entre a multidão.
Para Ele, Deus nos ouve bem melhor
Se buscamos silêncio e solidão.

E mais ainda afirma, sabiamente,
Que Deus nos dá a nossa recompensa
Se perdoamos nós, antes da prece,
De nossos inimigos, a ofensa.

A prece, pois, pra ter grande magia,
Requer o estado místico de Amor.
Ela somente é pura quando imita
O perfume que surge duma flor.

Assim, os nossos Anjos mensageiros,
Ao ouvirem as preces que são ditas
Com fé santificante, eles as tomam
Em luzes, lá nas plagas infinitas.

Nesse instante, a magia poderosa
Da palavra se fazem divindade
Que liga o coração do ser humano
Ao coração de Deus, na Eternidade.

Luiz Goulart

Nossos Limites

Máximo Ribera
Os seres humanos nascem muito fraquinhos, parece que são as criaturas que mais precisam de ajuda, para sobreviver. Mas quando ele assume a sua consciência, sua autonomia, tenta atingir o impossível. E isso faz dele um construtor. Está sempre a modificar as coisas, a transformar o mundo, para melhor. Ergueu grandes cidades, ampliou seu tempo de vida, viajou para colher estrelas fisicamente; não conhece seu limite e não para de tentar ir além.
No entanto, em paralelo a tanta maravilha, surge de dentro dele um monstro de destruição. Tudo que ele constrói, ele mesmo destrói com guerras sem fim, vive em disputa de supremacia, de poderes de domínio uns sobre os outros.
Conheci uma senhora da roça, que falava umas coisas interessantes, por exemplo: “A criatura nasce com a condição de trazer junto seu anjo. Só que em algumas pessoas o anjo não vem. Vem o demônio.” – e acrescentava: “Mas o anjo desses vem atrás, e tem que expulsar o demônio, senão ele vai destruir tudo.”
Esta é uma figuração de nossa dualidade. Sabemos disso, pois guardamos memórias sombrias e luminosas. E quem já desenvolveu atributos superiores, como bondade, beleza e verdade, sente a ascendência do seu anjo.
Este anjo representa nossas conquistas divinas, armazenadas em nossa alma, enquanto que o demônio, nesta figuração, é a grande ignorância de nossa realidade.
Vamos citar agora uma parábola de La Fontaine, que nos lembra o quanto devemos nos preparar para grandes empreitadas:
É sobre a tartaruga, que, vendo duas aves se preparando para alçar voo, expressou sua tristeza, por não poder voar. Então as aves se ofereceram para levá-la de carona. Prepararam uma vara de madeira, seguraram cada uma numa ponta e disseram para a tartaruga morder, se agarrar com os dentes e se pendurar. Deu certo. Lá se foram os três voando por cima da cidade, enquanto as pessoas aplaudiam admiradas e dizendo frases como: “Uma tartaruga voando! Ela é muito poderosa.” De tanto ouvir os elogios, a tartaruga, toda vaidosa, resolveu falar: “Sim, sou poderosa.”
Mas nem terminou a frase e já estava toda arrebentada no chão. Esqueceu que para se manter no ar, não podia abrir a boca.
Assim, companheiros, já conhecemos nossos limites externos, materiais. É hora de iluminar o demônio, e pegar carona segura nas asas de nosso anjo.

Palavras de Bahá’U’Lláh

Ilustração: Miti Goulart

Bem-aventurado é o lugar, a casa ou o coração, e bem-aventurada a cidade, a montanha, o refúgio, a caverna ou o vale, a terra e o mar, o prado e a ilha, onde se haja feito menção de Deus e celebrado o Seu louvor.

PRECE DA CURA
Teu nome é minha cura, ó meu Deus, e lembrar-me de ti é meu remédio. Tua proximidade é minha esperança, e o amor que te dedico meu companheiro. Tua misericórdia por mim é minha cura e meu socorro, tanto neste mundo como no mundo vindouro. Tu, em verdade, és o Todo-Generoso, o Onisciente, a Suprema Sabedoria.

A MAIOR PAZ VIRÁ
Nós desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações … que todas as nações se tornem uma na fé, e que todos os homens sejam como irmãos; que os laços de afeição e união entre os filhos dos homens sejam reforçados, a diversidade das religiões cesse, e as diferenças de raça sejam anuladas … E assim será: essas inúteis discórdias, essas ruidosas guerras desaparecerão e a maior Paz virá.

UNIDADE
Esta palavra sublime é o fruto todo-glorioso da árvore da Sabedoria: de uma só Árvore sois todos vós os frutos, e de um mesmo Ramo as folhas. Que o Homem não se vanglorie pelo amor à sua pátria, e sim pelo amor à sua espécie.

As Divinas Virgens Mães

Presença Mística Universal
LUIZ GOULART

Na Índia, desde remotíssimos tempos, a figura feminina toma o lugar no misticismo esotérico. No Mûlaprakriti dos vedantinos surge o nome de Aditi expressando a Deusa-Mãe, que simboliza o Infinito ou a Natureza indivisível, tanto no Espaço quanto na Terra.
No referido texto sagrado, Aditi é apresentada como mãe de Âdityas, os sete deuses planetários, os quais assumem as personificações do Sol nos meses do ano, tendo por chefe Vishnu, que se manifesta fortemente na primavera.
Ainda no sentido divino e maternal, os hindus reverenciam a figura de Devakî, mãe de Krishna, cuja lenda se assemelha à da Virgem Santíssima do Cristianismo.
Dando atenção ao Egito, encontramos Ísis, a Virgem Mãe, igualmente expressando a Natureza. Misteriosamente, em termos mitológicos, aparece como filha e mãe de Osíris. Comumente, Ísis é representada com a cabeça de Íbis, ave ligada aos mistérios lunares, dos quais essa deusa é a dirigente, por sua natureza feminina.
Muitos outros povos tiveram suas divindades relativas à Virgem Mãe dos hindus e egípcios: os hebreus glorificaram Astaroth e os sírios, a Astarté. Sem falar dos gregos no culto dedicado à Afrodite; os romanos, à Vesta; os germanos, à Herta. Na Oceania, no mesmo sentido, destaca-se Ina, enquanto para os japoneses surge a figura de Isa e os chineses louvam Ching-Mu.
Não podemos esquecer Jaci, Mãe Sagrada do nosso povo tupi, simbolizada pela Lua. Nossos irmãos africanos encontram perfeita identificação de Iemanjá, Mãe das Águas, como Virgem Santíssima dos católicos. Aliás, o vocábulo Maria provém das águas, ou seja, do Mar; pois, com razão, certos autores fazem derivar o nome de Nossa Senhora do siríaco, com o significado de “princesa do mar”, enquanto outros chamam-na de “estrela do mar”.
Importa sentir e saber que o culto à Virgem-Mãe, surgido em distante passado, está presente até hoje em todo o universo do sentimento místico e filial da humanidade.

Oração do despertar

Ô minha Estrela Consoladora,
Agradeço o sono que fechou meus olhos.
Tu me guiaste em plena noite.
Confundo agora a tua voz
Com o canto da manhã.
Confio em ti que iluminas
De sol este nascer de novo dia.
Deixo o leito onde me amparaste
Para firmar meu coração
No amparo teu,
No caminho de seus passos.
Permite que eu te veja
Nos olhos puros das crianças
E no olhar cansado dos velhinhos.
Permite que eu encontre teu ensinamento
Nos corações amargos que ofendem,
Como tua delicadeza
Nas palavras de Amor que me disserem.
Confiante em ti
Descobrirei tua presença na vida.
Toma meus olhos para tua luz,
Minha boca para tua prudência,
Meu gesto para seu carinho
E meu pensamento para escrínio
De tua paz,
Ô minha Estrela Consoladora!
(Luiz Goulart)

A Ilusão da Permanência


Tudo está passando como num sonho – porque a existência nada mais é do que um sonho. Pobre de quem a toma como única realidade… Na verdade, nenhuma das coisas que julgáramos definitivas, ficaram: todas passaram.
Os seres humanos são bem o retrato dessa mudança irrevogável: não são, nem serão os mesmos de vinte anos atrás. O problema é que nos habituamos a nos ver como criaturas integrais, que jamais precisarão de mudanças: “Eu sou assim…”
Mas alguém perguntou: “E quando o céu se tornou azul, tu foste o mesmo? Quando aquele perfume de rosas te envolveu, foste o mesmo? E ainda foste o mesmo quando teu primeiro filho nasceu?” – a criatura, que se julgava um todo de permanência, baixou os olhos, pensativa…
Vivendo a Personalidade, esquecemo-nos da Essência única, que não se mistura com as múltiplas formas do baú da existência… E, no entanto, deixamos de lado o que é permanente, para estarmos em meio à mutabilidade.
Assim é a natureza humana. Poucos são os que se desligam, por um momento, de si mesmos e dos outros diariamente, para viverem esse estado superior de consciência, onde se revela o verdadeiro Ser.

(Luiz Goulart)

Centenário de Luiz Goulart

25 de setembro de 2020.
Centenário de nascimento de Luiz Goulart, criador da Corrente da Paz Universal.
Vamos falar um pouco desse idealista, que assumiu a missão de repaginar o Livro da Felicidade, simplificar a linguagem da Sabedoria Eterna e relembrar a todos nós que há uma centelha de Deus em cada templo humano, à espera de nossa atenção, para n os reconduzir à Morada do Pai.
Profundo conhecedor da alma humana, sua vida foi um exemplo de dedicação a intensa pesquisa na áreas da psicologia e da filosofia. Preocupando-se com a vida espiritual da humanidade, mergulhou fundo no estudo das grandes escrituras, e abriu caminhos mentais para demonstrar que as religiões, em ideia, pregam a mesma mensagem, com linguagens diferenciadas. Dão-se muitos nomes para o mesmo Deus.
Essa é a essência da herança que nos legou Luiz Goulart.
Aos seus discípulos, neste dia de felizes recordações na convivência com um verdadeiro ser de Luz – com os corações transbordando de saudades – só resta dizer: “Obrigado, Senhor!”

54 anos semeando a Paz

13 de setembro!

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Aniversário da Corrente da Paz Universal. Para comemorar, trouxemos estas palavras do seu fundador, Luiz Goulart, nosso eterno Mestre-Poeta:

O DIA NASCEU!
“Você faz parte desse dia e a luz do Sol lhe pertence.
Os momentos de luz mostrarão a estrada certa de seu caminho.
“Não se precipite nas palavras e nos julgamentos,
nem leve a sério, como definitivas, as palavras que lhe disserem.
“Medite sempre antes de aceitar os conceitos do mundo e só responda tendo certeza do que vai dizer.
“Não use de violência nas palavras. Silencie ante às provocações.
Sempre encontrará criaturas revoltadas e desejosas de vingar-se, lançando sobre o próximo as mágoas e frustrações que não dizem respeito a ninguém, nem a você.
“Sorria e passe… O dia é seu, cheio de luz!”

De vez em quando é indispensável que surjam mensagens que respeitem religiões e filosofias diferentes, e falem da unidade do gênero humano. Corrente da Paz Universal é um desses movimentos conciliadores.
Seu trabalho, por estar compromissado com a paz interior, colabora na promoção da paz mundial.

Depoimento do Filho Pródigo

Maximo Ribera
A força da Palavra Crística muitas vezes nos tira a coragem de interpretá-la. Foi o que me aconteceu diante da parábola do Filho Pródigo. Imediatamente lembrei de Luiz Goulart, que transformava em poesia os mais intrincados temas e abria nosso entendimento através do coração. Se com ele aprendi, ele me inspirou:

Na casa do meu Pai eu vivia
Curioso com as histórias dos anciãos
Sobre o viver na terra de poeira e sementes,
De flores sólidas, mas perfumadas,
De seres alados, não anjos, mas pássaros;
De estrelas que se consomem nas cinzas,
De criaturas densas, mas angelicais
Que amamentam seus filhos
Em seus corpos.

Desenhou-se em minhas fantasias
Um mundo de encantamento
Oculto no vale das sombras
E eu só poderia conhecê-lo
Se descesse até lá.

Supliquei muitas vezes a meu Pai:
“Senhor, dá-me um corpo de carne
Para eu conhecer tua fazenda
De matéria densa.”

Um infinito de tempo se passou,
Até que meu Pai me chamou e disse,
Num sussurro, a voz embargada:
“Tua vontade te preparou, estás pronto.
Desce, meu filho, tu podes, eu não.
Embora seja grande o meu receio
De perder-te, pois vais ao reino da morte,
Vai! Teu coração quer se expandir
Além do próprio infinito
E isso só é possível se conheceres o finito.
Mas não deixes que se apague
A centelha que nos alimenta
Aqui e lá.
Mantém-te vivo, eu te imploro,
Para onde vais, estarás entregue
À minha Lei imutável que mantém
O equilíbrio de tudo que criei.
Não poderei interceder por ti,
Se a transgredires.”
Assim se cumpriu meu destino.
Desci e me descobri sozinho,
Uma estranha saudade foi minha
Inseparável companheira.
Meus corpos se renovaram muitas vezes.
Muito aprendi através deles,
E, apesar de eles se envolverem
Excessivamente com a matéria densa,
Fiquei maravilhado
Ao descobrir na própria Terra
Uma luminosa extensão
Da casa do meu Pai.
Até que nada mais me interessou.
Os tesouros que conquistei
Não me serviram mais.
Então meu Pai atendeu ao meu chamado
E aqui estou, no círculo dos anciãos,
Contando minha gloriosa história.

Obs.: Quando um ancião me perguntou se me desliguei totalmente da Terra, respondi que não é possível, pois semeei com a centelha, herança do meu Pai, escadarias para os seres humanos ascenderem à nossa morada. Chamam-se: Fraternidade, amor, fé, altruísmo, compaixão, e tantos outros nomes, mas a maior escadaria, que mantém os seres humanos sonhando com a casa do Pai, chama-se Esperança.

Divina Parceria

AMPARO E INSTRUÇÃO
Luiz Goulart, o saudoso instrutor, nos falou da essência de sua Mensagem: o deus interior, a divina parceria que está à nossa espera, para nos amparar e nos instruir quando as ilusões se esvanecerem com todas as perdas que a rotina desta existência nos traz.
OS DEUSES EXTERIORES
Essa dividande interna foi revelada nas escrituras sagradas no decorrer dos milênios, pelas grandes escolas de iniciação, sob o véu das analogias. Logo as imagens e figurações que nasceram desses ensinamentos, numa linguagem reservada aos iniciados, deixaram o âmbito das escolas secretas, recebendo formas e nomes variados, e interpretações adaptadas ao entendimento da mente coletiva; esse fato levou as multidões a exteriorizar seus “poderes”, e com isso nasceram os incontáveis deuses exteriores.
O DIVINO RESGATE
Então vieram os divinos mensageiros, para resgatar o tesouro esquecido dentro de nós. Hoje já se fala normalmente no Dáimon, no Cristo interno, na Voz interior. Herdamos da Aryavarta (a Mãe Índia) e da terra de Chemi (o Pai Egito), práticas milenares para desenvolver nossas funções superiores e abrir a consciência para essa Presença. Os autores modernos mudaram a forma de exposição, mas a essência dos ensinamentos está mantida.
DEUSES INTERIORES
As expressões “deus interno”, Eu superior, Cristo interno e tantas outras nos conduzem a um patamar exclusivo, como indivíduos, diferenciados das personas, segundo o esoterismo. Então perguntamos: São vários “deuses internos”? “Cristos internos?
Aumenta exponencialmente a consciência de seu próprio valor, o ser humano sentir que sim.
Quem nos ensina isso é Jesus, o Cristo: “Vós sois deuses.” Claro que ele não se referia à persona.
Encerramos com a saudação indiana que confirma esta realidade:
Namastê: “O Deus que habita o meu coração reverencia e reconhece o Deus que habita o seu coração”.
Paz e Cristo!
(Maximo Ribera)