Nossos Limites

By | 22 de maio de 2021

Máximo Ribera
Os seres humanos nascem muito fraquinhos, parece que são as criaturas que mais precisam de ajuda, para sobreviver. Mas quando ele assume a sua consciência, sua autonomia, tenta atingir o impossível. E isso faz dele um construtor. Está sempre a modificar as coisas, a transformar o mundo, para melhor. Ergueu grandes cidades, ampliou seu tempo de vida, viajou para colher estrelas fisicamente; não conhece seu limite e não para de tentar ir além.
No entanto, em paralelo a tanta maravilha, surge de dentro dele um monstro de destruição. Tudo que ele constrói, ele mesmo destrói com guerras sem fim, vive em disputa de supremacia, de poderes de domínio uns sobre os outros.
Conheci uma senhora da roça, que falava umas coisas interessantes, por exemplo: “A criatura nasce com a condição de trazer junto seu anjo. Só que em algumas pessoas o anjo não vem. Vem o demônio.” – e acrescentava: “Mas o anjo desses vem atrás, e tem que expulsar o demônio, senão ele vai destruir tudo.”
Esta é uma figuração de nossa dualidade. Sabemos disso, pois guardamos memórias sombrias e luminosas. E quem já desenvolveu atributos superiores, como bondade, beleza e verdade, sente a ascendência do seu anjo.
Este anjo representa nossas conquistas divinas, armazenadas em nossa alma, enquanto que o demônio, nesta figuração, é a grande ignorância de nossa realidade.
Vamos citar agora uma parábola de La Fontaine, que nos lembra o quanto devemos nos preparar para grandes empreitadas:
É sobre a tartaruga, que, vendo duas aves se preparando para alçar voo, expressou sua tristeza, por não poder voar. Então as aves se ofereceram para levá-la de carona. Prepararam uma vara de madeira, seguraram cada uma numa ponta e disseram para a tartaruga morder, se agarrar com os dentes e se pendurar. Deu certo. Lá se foram os três voando por cima da cidade, enquanto as pessoas aplaudiam admiradas e dizendo frases como: “Uma tartaruga voando! Ela é muito poderosa.” De tanto ouvir os elogios, a tartaruga, toda vaidosa, resolveu falar: “Sim, sou poderosa.”
Mas nem terminou a frase e já estava toda arrebentada no chão. Esqueceu que para se manter no ar, não podia abrir a boca.
Assim, companheiros, já conhecemos nossos limites externos, materiais. É hora de iluminar o demônio, e pegar carona segura nas asas de nosso anjo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *