Reverenciamos tuas dádivas: A água que nos purifica, O ar que nos alenta, O fogo que nos aquece E ilumina, A terra, que nos oferece O remédio e o alimento.
Aceita o abraço Largo e fraterno Em teu corpo santo, Divina Gaia…
Unimos pensamentos E corações Para comover a espécie E fazê-la sentir que, Em verdade, “A Terra é um só país Para os seus filhos humanos”!
Não é de nosso interesse olhar o lado a parente da criatura humana. Não nos prendemos às características transitórias que são demonstradas pelo revestimento das religiões, dos partidos, bem como dos hábitos concernentes a raças e povos. 0 que nos prende ao Ideal de Fraternidade é, precisamente, a parte imutável dos seres, ou seja, a Natureza íntima, que está muito além de qualquer divisão, de qualquer agremiação ou grupo. Vemos o Homem. Esteja ele onde estiver, pois a Vida não conhece algo mais do que a manifestação dela mesma. Até onde permite nossa fraqueza humana, colocamos a Luz do Coração. Cabe a ele iluminar a treva dos preconceitos e demonstrar à Humanidade que, mesmo independente da má vontade de muitos, a DOR, a VIDA, a MORTE e a ETERNIDADE são iguais para todas as criaturas. 0 Universo estreita muito mais, nos seus laços de carinho, os seres do que nós mesmos julgamos. A debilidade da criatura está, portanto, no esquecimento desta verdade: TODOS SOMOS UM. Só o Egoísmo divide. Só o Amor irmana. Na divisão, o mal tudo escurece… Na união, o Bem tudo ilumina. Células vivas do organismo da espécie, cada ser unido a seu semelhante, fortalece o corpo único da Humanidade.
Fonte: Mensagem de Luiz Goulart nº 94- publicação semanal / Agosto de 1984
UM DIVINO PRESENTE A Mensagem da Corrente da Paz Universal é voltada para conduzir cada criatura ao seu mundo interior, o mundo essencial, onde a certeza da permanência da vida deve ser conquistada. É um trabalho de difícil aceitação, pois, tendo suas origens na Sabedora das Idades, que nos indica, através das Escrituras sagradas, formas de nos libertarmos das amarras da matéria física, aconselha que devemos abrir mão do domínio de nossa personalidade, que é apenas uma passageira nesta terra. Consideramos um divino presente esta Mensagem, companheiros, pois ela nos orienta para nos libertarmos do sofrimento e da insegurança de vivermos num mundo com habitantes cruéis, sanguinários, guerreiros que têm aperfeiçoado as formas de extermínio, que evoluíram do tacape às armas nucleares. E atrás dos gatilhos continuam os mesmos dedos trogloditas. A VERDADEIRA PAZ Por isso estamos nesta tribuna, para falar sobre os benefícios da Paz. Da Paz que consideramos verdadeira. Daquela que não precisa de acordos, de tratados mentirosos entre nações que aplicam o diabólico “faça a paz, mas prepare-se para a guerra”. Esse modo de agir e pensar, se não for mudado, levará a humanidade ao autoextermínio. Não precisa ser profeta para saber disso. Por que dizemos que esta mensagem é um presente divino? Justamente porque ela nos passa a certeza de que reside em nós um deus interior, o guardião da Paz verdadeira, que está à nossa espera, no mais íntimo recanto de nosso coração. DEPENDE DE NÓS Mas ele precisa de nós, de nosso esforço, companheiros. O deus interior precisa de canais para a difusão dos benefícios da Paz Interior. Vamos sonhar, então, o sonho do Ideal, divulgar, mentalizar, abrir caminho nas sombras das guerras, emanando o Bem, a Beleza e a Verdade. Vamos devolver às almas sensíveis a esperança do retorno à felicidade. (Maximo Ribera)
“Como é possível que seres humanos lutem de manhã à noite, matando-se uns aos outros? Surpreende-me a selvageria humana que ainda existe neste mundo… A Terra não pertence a um só povo, mas a todos. Não é o lar e sim o túmulo do homem. É por seus túmulos que esses homens estão brigando… Milhares sofrem pela ambição de alguns… mulheres estão derramando lágrimas por seus filhos mortos… Eu vos convido, a cada um de vós, a encontrar o íntimo dos vossos pensamentos no amor e na união. Quando surgir um pensamento de guerra, fazei-lhe oposição com um mais forte de paz. Um pensamento de ódio, por um mais poderoso de amor… Não julgueis que a paz do mundo seja ideal impossível. Nada é impossível à sublime benevolência de Deus!… Se de todo o coração desejais a paz, vosso pensamento espiritual e positivo propagar-se-á; virá a ser o desejo dos outros, tornando-se cada vez mais forte, até atingir as mentes de todos os homens. Não desanimeis!”
Não deixes que o sentimento de tristeza domine tua palavra. Pois, desse modo, além de dares curso maior à tua melancolia, serás desumano se retransmitires a teu próximo o gérmen de tuas mágoas. Atenta nisto: sempre justificamos interiormente o teor das palavras que proferimos: se falas de espinhos, estes, igualmente, tu os cravas em tua alma; se dizes uma mentira, mentes a ti mesmo; se dizes uma palavra verdadeira, guardas a Verdade em teu íntimo e nela te fortaleces. Seremos amanhã o que falamos hoje. Somos hoje o que dissemos ontem… As palavras reforçam estados interiores. A palavra é o início da materialização do pensamento. Por isso a tristeza mais corrói o coração que se objetiva em palavras de melancolia.
Quanto ao sentimento de dúvida, a palavra cria, sob este estado, grande confusão em quem ouve e, logicamente, na própria pessoa que fala. Nesse particular, não podemos esquecer o Evangelho: “seja o vosso falar sim, sim; não, não”. Nada na realidade perturba tanto quanto ouvir a pergunta duvidosa de quem indaga: “É hoje ou amanhã?”; “Ele me ama ou me odeia?”; “Vou piorar ou melhorar?”; “Choverá ou não?”
Diga-se, sem medo de errar, que este estado dúbio é o mais comum. A julgar-se pelo debate das dúvidas que, além de serem travadas em terrível duelo emocional, ferem a gume de espada todos os desassossegados que ainda não aprenderam a ouvir com paciência.
O pensar antes de falar é, pois, motivo de equilíbrio interior. Daí dizer o sábio pensador Lao-tsé: “Quem fala não pensa, quem pensa não fala”.
Fonte: Livro – O Caminho da Paz Interior – 1999 / 5ª edição
Dos amigos que conheço, todos têm asas. São seres de sensibilidade, mas nem sempre se reconhecem assim: alados, capazes de superar obstáculos pelo hábito santo de manter a alma leve, liberando mais altos voos. Meus amigos alados às vezes se esquecem que têm asas, e se sentem frágeis; logo se afligem e lutam em nome dos limites, ordens e dogmas de suas crenças…
Mas são salvos quando veem Beleza: como diz Platão, sentem que têm asas – e isso, por si só, já faz toda a diferença… Todos os dias desejo aos meus amigos a expressão mais bela da alma, neste voo leve pelo caminho essencial da Liberdade. (Lúcia Magalhães – Ilustração de Luiz Goulart))
Thich Nhat Hanh (11/OUT/1926 – 22/JAN/2022), poeta, Mestre Zen do budismo, ativista pela paz. Presidiu a Delegação Budista da Paz em Paris, nos debates sobre a paz, durante a guerra do Vietnã, seu país de origem, tendo sido indicado pelo Dr. Martin Luther King Jr. para o Prêmio Nobel da Paz. Autor de inúmeros livros, numa linguagem poética, tornou o budismo inspiração à mente Ocidental.
“Este corpo não sou eu; Eu não estou apegado a este corpo, Eu sou vida sem limites, Eu nunca cheguei a nascer e eu nunca cheguei a morrer. Logo ali, o vasto oceano e o céu com muitas galáxias, Todas se manifestam a partir da consciência primordial. Desde o tempo sem início eu sempre fui livre. Nascimento e morte são apenas uma porta por onde nós entramos e saímos. Nascimento e morte são apenas um jogo de esconde-esconde. Então sorria para mim e pegue a minha mão e me dê adeus. Amanhã devemos nos encontrar novamente, ou mesmo antes. Nós devemos sempre nos encontrar novamente na verdadeira fonte, Sempre nos reencontrando na miríade de caminhos da vida.”
Aos que levaram canções De minha alma, Na distância da separação Deixo meu canto de amor E saudade.
Não creio que o tempo Dissolva marcas de luz e sol No bordado da amizade. As flores que nós vimos juntos… O céu que, em estrelas, Fitou nossos abraços As lágrimas de nossos olhos O sorriso em nossas bocas… Tudo, na dor e na alegria, formou além Indissolúveis laços.
É questão de ver o bem E nunca o mal Pois quem não tem Acertos e desenganos? Afinal, todos nós somos humanos.
Importa não guardar Ressentimento, Nem fazer ninho de treva No coração Sempre malferido, Quando não se acende A estrela clara do perdão.
-Olha os momentos belos Do caminho Que marcaram nossos passos! Relembra a rosa, Esquece o espinho…
Um dia, vamos deixar a Terra. Será hoje, agora Ou amanhã? Não. Não deixemos que o final Guarde o crepúsculo Feito de sombra e rancor: -Nada foi ou é mais importante Que ver surgir, da separação, Uma alvorada de amor.
Texto: Pequena antologia poética – 2018 Segunda edição ampliada
Ramakrishna, um dos mais importantes mestres hindus, disse com acerto: “As religiões são caminhos, mas os caminhos não são Deus.” Importava-lhe encontrar Deus no próprio interior do indivíduo. A maior parte dos religiosos sente a Fé como oriunda de sua extroversão devocional. Uma pequena parte de indivíduos, no entanto, já tomou como norma a “introspecção meditativa”, ou busca da presença de Deus, fragmento luminoso que toda criatura possui em seu Eu Vital.
Não nos cabe criticar ou depreciar os religiosos da Fé exteriorizada, cujas preces são dirigidas a uma divindade abstrata, ainda colocada no Céu devocional: há muitos graus e limites perceptivos na busca da espiritualidade. Talvez a Fé exteriorizada faça parte dos exercícios primários que conduzam à descoberta do Eu Vital no próprio indivíduo.
No caminho da Autorrealização consciente acontece uma total mudança de mentalidade, que vê em todo homem ou mulher, a dicotomia Eu-Espírito e Ego-Matéria: no Eu, os atributos da Luz, como representação da liberdade espiritual; no Ego, os da Sombra, como manifestação dos temores e ansiedades religiosas.
Neste caminho busca-se a Essência no Homem, o Espírito ou Energia do Eu. Daí a palavra Essencialismo – o nome do critério psicológico e filosófico que temos adotado em nossas preleções e escritos. Na própria linguagem intuitiva dos povos, segredada pela poesia universal, empresta-se à flor o sentido substancial, quando se trata de suas pétalas, mas a seu perfume dá-se o atributo da essência.
Por isso acreditamos que, dentro da cadeia evolutiva da raça humana, cada vez maior número de pessoas buscará o Céu em si mesmo e não na abstração de tantos caminhos entrechocantes que cruzam, em nome da Fé, a superfície da Terra.
Fonte: Jornal Mensagem de Luiz Goulart – nº 354 / Outubro 2009