Hermes

Hermes(5.000 a. C.) Thot Hermes é uma das figuras mais enigmáticas quanto a sua expressão mística. Será ele um deus, homem ou um ser humano divinizado? Sua individualidade para os egípcios não raramente chega a ocupar um plano de superioridade, ao lado de Osíris, Ísis e Hórus – assumindo o papel de deus da Sabedoria, com autoridade sobre todos os demais deuses menores.

Representado com a cabeça da ave íbis, tem como missão anotar o pensamento, as palavras e as ações das criaturas humanas. Nesse mister, como juiz, o mérito e demérito pesa na balança que antecede o “grande julgamento”, levado a efeito após a morte. Que os mortais, portanto, se vigiem: nada escapa ao pergaminho astral de Thot. Já que ele, por isso, conduz em sua mão o “olho de Hórus”, a terceira visão que “tudo vê e nada lhe escapa”.

Tendo os gregos aprendido e associado a sua cultura (como os hebreus) à Sabedoria Egípcia, acharam justo adicionar o nome de Hermes à divindade Thot, a fim de justificá-la como ser integrado à Escola Secreta dos seus Iniciados, cuja Luz fora adquirida nos templos egípcios. Desse modo foi ele chamado pelos Sábios helenos, iniciados nos Mistérios, de Thot Hermes ou de Hermes Trismegisto ou “três vezes grande”, quer dizer, no físico, na mente e no espírito.

Não foi difícil, helenicamente, transformar a divindade egípcia Thot – enquadrada no cenário teológico da religião faraônica – em o primeiro grande Hierofante da Humanidade, ao qual coube o patronato das Leis reguladoras das ciências Físicas e também apresentá-lo como revelador do conhecimento oculto, esotérico, ministrado nas Escolas Egípcias, e posteriormente Gregas, pelos grandes sábios e sacerdotes.

Mesmo se fosse fantasia de elucubração poética a figura de Thot Hermes, louvaríamos a genialidade fantástica de seus imaginativos criadores, pois jamais se repetiu ou surgiu algo que suplantasse o Deus sábio reverenciado pelos pensadores helenos e neoplatônicos.

Estamos, pois, de pleno acordo com J. Bonwick quando diz que Thot exerceu o profundo poder de despertar a mente criadora no pensamento e na sensibilidade do passado da raça humana. Literalmente, afirma: “Em vão nos perguntamos como na infância deste mundo e da humanidade, em meio de uma suposta civilização insipiente, pôde o homem ter sonhado um ser celeste semelhante a Thot”… Com assombro, conclui: “Está demonstrado que a esposa do faraó Kephren era sacerdotisa de Thot, cujas idéias são fixadas há seis mil anos.”

Não deve ter causado maior espanto ao sábio inglês quando ele soube, mediante as afirmações de Platão, que Thot Hermes foi o inventor dos números, criador da Geometria, da Astronomia e dos sinais gráficos ou letras para expressar o pensamento. Também não deve, hoje, causar dúvidas quanto ao que escreveu Platão, quando Plotino e Proclo dizem que Thot Hermes é o condutor supremo dos seres mais evoluídos à Mansão da imortalidade… Sem esquecer Jâmblico ao afirmar que a cruz com asas que Thot tem na mão é o monograma de seu nome, ou seja, o Tau como equivalência ao emblema de Mercúrio… pois ele conduz a vara serpentina…

O mesmo professor Bonwick acredita que “Hermes era a mesma serpente no sentido místico”… Ou seja, acrescentamos nós, deslizava como o dito réptil seguindo o curso da Eternidade, maneira egípcia de falar da representação dos céus, onde as estrelas se deslocam na amplidão. Evidentemente Thot é uma serpente de luz, pois as demais serpentes de sombra ela destruía, assim como faz a íbis que o expressava quanto divindade.

De qualquer forma nenhum ser guarda em si mais mistérios que Thot, muitas vezes conhecido com Tehuti, nome derivado de Tehu equivalente a íbis para a egípcio falado no Baixo Egito. Sob este nome – Tehuti – nos hieróglifos mais antigos, aparece reverenciado como o primogênito de Rá; o Sol, desse modo irmão de Osíris, Ísis, Seth e Nefthys. Em outros textos, Thot ou Tehuti não é propriamente Rá, mas sim convidado por este deus a iluminar o Céu, assumindo o papel da Lua.

Não foi portanto tarefa fácil a transposição dos enigmas de tal divindade para figurá-la, encarnada entre os mortais sob forma humana, embora expressando, para os gregos, o primeiro Grande Mestre da humanidade, autor de obras que alicerçariam as bases da Sabedoria divina e universal.

Os mais eruditos pesquisadores das obras escritas por Thot Hermes sublinham o Kybalión como a mais importante. No montante de seus trabalhos o autor (deus ou homem) trata de Teurgia, conceitos de Filosofia, Astronomia e Alquimia. A tradução plausível de Kybalión, aproximadamente, é “Mensagem de um Ser Superior”. Há muitas outras complicadas e que se contradizem.

Em torno ou emanada da doutrina esotérica de Thot Hermes ou do Hermetismo propriamente dito, o Egito, a par dos cultos religiosos e exotéricos, destaca-se como berço da Magia ou Ciência Oculta de cunho universal, quanto à sua extensão para todos os povos do passado. Sendo sua influência mais notada entre hebreus e helenos.

Nada quanto à origem teúrgica iguala, como síntese da Sabedoria Transcendental, as sentenças “gravadas sobre uma pedra preciosa por Hermes e conhecida sob o nome de “Tábua de Esmeralda”, segundo afirma Eliphas Levi. Diz este autor que ali se encontra “a unidade do ser e a unidade das harmonias, quer ascendentes, quer descendentes, a escala progressiva e proporcional do Verbo”.

Com razão Thot Hermes é chamado de o supremo Hierofante (ou perfeito expositor dos conhecimentos sagrados).

As obras isoladas atribuídas ao Grande Mago egípcio são, segundo eminentes sábios, produto da Escola de Alexandria. Mas por conterem parte do espírito do Hermetismo de Thot, merecem ser citadas. São elas: o Corpus Herméticum _ que inclui quatorze sermões interessantes como o Pimandro, o pastor das criaturas humanas; o Discurso Universal a Asclépios (claramente grego); As Sínteses de Stobaeus e alguns outros, entre os quais certos estudiosos incluem a Tábua de Esmeralda.

É porém no Kybálion que, de modo claro edificado literariamente por sábios iluminados, podem os estudantes ou iniciantes no conhecimento Esotérico e Hermético absorver as chaves básicas do Supremo Hierofante. Pois esta obra é depositária da Sabedoria que, segundo dizem os verdadeiros instrutores templários, todos que inalarem o alento de seus Mistérios “tornar-se-ão deuses”.

Fixemos pois nossa atenção no Kybálion, compilação da Suprema Filosofia-Ciência de Thot Hermes, cuja síntese das sínteses está exarada nos seus SETE PRINCÍPIOS:

1. Mentalismo: “O Todo é Mente; o Universo é mental.”
2. Correspondência: “O que está em cima é como o que esta embaixo.”
3. Vibração: “Nada está imóvel; tudo se move; tudo vibra.”
4. Polaridade: “Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo, seu par oposto; os semelhantes e os antagônicos se identificam; os opostos são idênticos em natureza, porém diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são semiverdades; todos os paradoxos podem conciliar-se.
5. Ritmo: “Tudo flui e reflui; tudo tem seus períodos de avanço e de retrocesso; tudo ascende e descende; tudo se move como um pêndulo; a medida de seu movimento para a direita é a mesma que a de seu movimento para a esquerda; o ritmo é a compensação”.
6. Causa e Efeito: “Toda causa tem seu efeito; todo efeito tem sua causa; tudo sucede de acordo com a Lei; a sorte não é mais que o nome que se dá a uma Lei não conhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei.”
7. Geração: “A geração existe em toda parte; tudo tem seus princípios masculino e feminino; a geração se manifesta em todos os planos.”

Expostos estes sete Princípios de Thot Hermes, não necessitamos nos alongar neste breve estudo do mais fantástico ser que o passado ofereceu à Terra para aclarar, pela Sabedoria, o destino da Humanidade no delineamento não só do Hermetismo, mas também no que coube ao Homem devassar nos domínios das Ciências, Artes e Filosofias em geral. Por isso estes sete Princípios – síntese do Pensamento Hermético – até hoje iluminam a mente humana. Estão presentes em tudo que ainda hoje sonhamos ou realizamos. Para entender o que afirmamos, ouçamos Thot, quando diz: “Os Lábios da Sabedoria permanecem fechados, exceto para o ouvido capaz de compreender.”

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