Cristo-Sol

JESUS_2No Passado os ensinamentos obedeciam a dois critérios: Esotérico: Do grego, no sentido de interno, secreto ou oculto. – Exotérico: Dentro da mesma origem, expressando externo e público. Só os Iniciados nos “Mistérios” recebiam os “conhecimentos esotéricos”.

Diz o Evangelho: “Então se aproximaram os discípulos, e lhe perguntaram: `Por que lhes falas por parábolas?’ Ao que respondeu: `Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido. Por isso lhes falo por parábolas, porque vendo, não vêem; e ouvindo não ouvem, nem entendem. De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos, e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis’.”(Mateus XIII, 10 a 14)

Se um repórter de nossos dias penetrasse na “Máquina do Tempo” e resolvesse entrevistar os místicos e sábios do passado, ficaria surpreso com suas enigmáticas afirmações. Principalmente se tentasse colher opiniões a respeito do Sol. Ouviria dos lábios de Dionísio Areopagita: “O Sol, especialmente, possui a significação e a imagem de Deus… Pela porta maior penetra a glória do Senhor nos templos…” E Santo Ambrósio confirmaria: “Edificamos as igrejas abertas até o Oriente, porque durante os mistérios começamos a renunciar ao que está no Ocidente.”

Imediatamente os leitores de hoje, do lado de fora da “Máquina do Tempo”, pediriam ao repórter explicações mais detalhadas. Este, porém, responderia, como todo bom repórter, que seu mister é informar. Assim também é isto que pretendemos, através destas páginas.

Clemente de Alexandria, com sua linguagem simbólica, ensinava: “Os seis braços afixados no candelabro central seguram lâmpadas, mas o Sol colocado no centro derrama seus raios sobre todas elas. Este candelabro de ouro oculta mais de um mistério. É o sinal de Cristo, não apenas por sua forma, mas porque derrama sua luz por intermédio dos sete espíritos primeiramente criados, que são os `sete olhos do Senhor’.”

Quando mergulhamos nas águas profundas e revoltas do Apocalipse, vemos o Anjo que se ergue com o Sol nascente e traz consigo o Selo do Deus Vivo. Logo o mesmo Santo Ambrósio opina que S. João se refere aí ao Cristo. E no capítulo XIX do mesmo livro bíblico descobrimos um Anjo residente no Sol que convida a todas as nações a se congregarem para a grande ceia do Cordeiro.

O Cristo e o Sol comumente são apresentados unidos entre si, ou como um sendo sinônimo do outro. O jesuíta Cornélio de Lápide, em seu Sermão Sobre a Santa Virgem, põe na boca de S. Bernardo estas palavras dirigidas à Virgem: “O Sol-Cristo vive em ti, e tu vives nele!”. A idéia de unificação de Cristo com o Sol sofreu, durante algum tempo, certo esquecimento em face de um Concílio Ecumênico que vetava a astrologia Cristã. Certamente isto na tentativa de conservação dos dogmas essenciais da fé. Em espírito, porém, a noção do Cristo como estrela-maior e guia da Humanidade sempre existiu em todos os povos. O Sol foi recebido, quer no Egito, na Índia, na Grécia e mesmo entre os povos ameríndios mais evoluídos, como o manifestante do Pai.

Os mistérios mitraicos pré-cristãos apresentavam o candidato que saía feliz das doze provas da iniciação final, como o digno recebedor de um pão chamado maná, ou pão do céu que representava o disco solar. Lembrando, desta maneira, uma espécie de hóstia adotada pela Igreja Católica.

Retornando ao simbolismo do candelabro dos hebreus, diz a tradição que seus sete braços tinham um significado puramente astrológico. Desde os magos caldeus, todos os astrólogos iniciados afirmaram que o Sol está no meio dos planetas, com Saturno, Júpiter e Marte de um lado; e Vênus, Mercúrio e Lua, do outro. Coleridge diz que o braço maior do candelabro representa o Cristo. Demócrito, a seu tempo, já dizia que Deus é uma alma em um orbe ígneo e este orbe é o Sol. E Jâmblico ensinava que o Sol é a imagem da inteligência divina. Platão foi mais longe: chama-o de Ser vivente e imortal. O que não fere o texto bíblico quando lemos o Salmo XIX, 4: “Nos céus colocou um tabernáculo para o Sol.”

A Vulgata, como versão dos setenta, traduz o original dizendo: “No Sol estabeleceu sua morada.” E afirma ainda que “o calor dimana diretamente de Deus e não do Sol, posto que Deus sai do Sol e mora nele…”

No velho Egito o Sol era o símbolo divino por excelência e sua luz tida como o corpo visível de Deus. A alma do Sol, entre eles, era uma das formas evocativas de Osíris. Comumente, Rá personificava o Sol. Preenchido de poesia, este texto de S. Clemente antecede vários milênios a Galileu e Copérnico: “A totalidade das criaturas que relacionam os céus com a terra, figuram nestes símbolos referentes aos fenômenos siderais… O candelabro representa o movimento dos sete luminares que descrevem sua revolução astral. À direita e à esquerda do braço central surgem os outros seis, cada um com sua lâmpada, porque o Sol está colocado como um braço maior no centro dos planetas, sobre os quais derrama sua luz… No que tange aos querubins que possuem doze asas entre os dois, representam o mundo material nos doze signos zodiacais.”

Como vemos, há uma astrologia espiritual que os antigos localizavam em linhas que demarcassem a posição dominante do Cristo, através do Sol, seu símbolo representativo.

O Osíris egípcio, o Phebo grego, o Krishna indiano, o Sûrya vedantino e o Mitra mazdeísta e demais divindades que se antropomorfizaram ou não, desde que sejam tidas como manifestações da Divindade Eterna, sempre representaram o Sol.

Daí ler-se nos Avestas: “Ahura Mazda disse ao Santo Zarathustra: Quando Eu criei (emanei) Mitra… o criei de modo que pudesse ser invocado e adorado como Eu mesmo.”

O culto do cristianismo está dividido em suas fases segundo a marcha solar e lunar, o nascimento de Jesus coincide com solstício de inverno, enquanto a Páscoa aproxima-se do equinócio da primavera. Os demais festejos relativos ao Cristo acham-se distribuídos, metodicamente, em outras partes do ano, seguindo uma ordem comparável com as cerimônias védicas na velha Índia. Constatamos assim que as festas dedicadas ao Cristo-Sol são mais antigas do que imaginamos. Evidentemente se dermos à palavra Cristo o sentido de um foco emanado do Cosmos para transformar-se num Avatar divino.

Voltando aos dias atuais, o próprio repórter conviria que há uma íntima ligação entre o Sol e o Cristo.

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