Luiz Goulart

JUSTA HOMENAGEM
Este trabalho foi produzido em 1984, escrito e coordenado pelo então presidente da Corrente da Paz Universal, Alfredo Serra Filho e Elvira de Meneses Góes. Aqui prestamos justa homenagem a esses dois grandes companheiros de Ideal, agora Viajantes do Infinito.
Os companheiros voluntários da Corrente da Paz Universal, que valorosamente mantêm vivo o trabalho do Instrutor, oferecem ao leitor esta segunda edição, revisada e ampliada, de “LUIZ GOULART, O HOMEM E A OBRA “.  Um relato conciso e emocionado de sua vida, fonte inesgotável de amor, beleza e sabedoria.
Luciano de Andrade Magalhães
Presidente da Corrente da Paz Universal
Rio de Janeiro, ano de 2018

APRESENTAÇÃO
Queremos louvar a iniciativa de Elvira de Meneses Góes, ao coordenar a síntese das realizações de Luiz Goulart. Na verdade, ela atendeu a um antigo sonho nosso. Ganhamos um documento de importância, pois se trata de matéria autêntica – e poucas pessoas estariam, como ela, abalizadas para escrever sobre Luiz Goulart; Elvira o acompanha desde a década de 50, sendo uma das responsáveis pela coordenação de suas obras.
Para nós, colaboradores da Corrente da Paz Universal, a cada dia que passa Luiz Goulart se torna mais popular – e nos fica difícil falar, em poucas palavras, sobre sua vida e sua obra às centenas de pessoas que nos procuram para beberem da Fonte de Água Viva do Ideal de Paz que ele trouxe ao mundo. Este livro é um modelo autêntico, do qual se extrairá a base para qualquer posterior estudo sobre as realizações deste homem que, ainda em vida, foi reconhecido como grande benfeitor da humanidade.
Alfredo Serra Filho
Rio de janeiro, 1984

Sumário
O Homem – O Pintor – O Poeta e o Escritor – O Radialista e o Conferencista –  O Pensador – O Instrutor e O Conferencista – O Pacifista-Cristão.

O HOMEM
UMA CANÇÃO DE LIBERDADE, AMOR E PAZ. A personalidade de Luiz Goulart foi envolvente e apaixonante, pelo seu modo romântico de encarar a vida, a criatura humana e o amor. Tendo se aproximado de seu modo de ser, dificilmente alguém não se sentiria cativado por sua juventude, sem idade; a neve, em seus cabelos, não escondeu o olhar brilhante de entusiasmo, nem o sorriso amplo de otimismo – como se não tivesse enfrentado grandes privações e provações, naturais aos idealistas e missionários.
Ele apresentou, aos que têm dúvidas e amarguras, o panorama iluminado pelos raios do sol da liberdade, do amor e da paz – e corajosamente se autorretrata, no seu livro “Canção do Vagamundo”:
“Levo comigo, no bojo das recordações, figuras milenares, como Ahsverus. Pacifistas antigos, do porte de Aknaton. Sócrates é o meu mestre vagamundo, perdido nas praças e estradas de Atenas. O Nazareno místico e Filho do Homem, que desprezava os poderosos e não tinha onde pousar a cabeça, mas deitava seu sentimento de amor em todo coração, está comigo para onde eu for.
“Jesus foi amigo dos vagamundos e párias. Ele também foi vagamundo, sem terras e sem palácios. Jeremias vive na minha estrada entre os nômades ciganos, menestréis e trovadores. Também Tolstoi, depois que deixou de ser conde, foi para Iasnaia Poliana de pés no chão, entre mujiques rudes. Giordano Bruno, que se libertou do jugo clerical para sentir a liberdade do amor e da unidade, pensa em meu pensamento. Francisco de Assis, irmão da pedra, do lobo e dos homens, pobre e poeta, anda descalço na mesma romaria dos libertos. Modernamente ouço a voz de Gandhi, pleno de não-violência, vestido em túnica de mendigo e rotas sandálias, repetindo o trajeto de Sidarta. Jamais esqueço de encontrar na minha estrada a presença de Charlie Chaplin, que soube representar ‘O Grande Ditador’ para que o mundo gargalhasse livremente dos tiranos e opressores. Não sou, portanto, coisa nova de se ver, como um aparelho eletrônico –  nem também peça antiga de museu.”

UMA LEI SUBJETIVA E INTERIOR. A alma libertária de Luiz Goulart não se detém ante os dogmas, preconceitos e normas convencionais, como faz questão de declarar:
“Não inventei minha filosofia de vida e liberdade. O mundo nos obriga a aplicar o que a experiência do tempo mostra em suas páginas. Ai da humanidade se não tivesse encontrado um punhado de libertos para contrabalançar o sadismo cruel dos que se comprazem em apagar os raios de sol, para que não iluminem a face nova de cada geração! São esses corações abertos, de túnicas ao vento e olhos brilhantes, fitando o horizonte novo, que nos fazem acreditar que não se retrocedeu ao casco da animalidade. Realmente, posso garantir que a senda incerta, livre das pequenas leis e tratados, por onde seguem os vagamundos, é mais plena de ventura. Só a Liberdade acende a chama do Amor e ilumina o caminho da Paz.
“Nesta senda não há o cálculo matemático, nem a jornada programada pelos computadores da opressão. A lei do vagamundo é subjetiva e interior. Ele passa, sem ferir-se, pelo arame farpado das tradições e preconceitos.”

SIMPLES, NATURAL, ALEGRE E POSITIVO. A filosofia de Luiz Goulart pressupõe a prática do mais simples, natural, alegre e positivo – para se caminhar mais livre e melhor servir às ideias. Por isso, confessa:
Meus irmãos de caminho nunca foram aos banquetes políticos nem cortejaram as posições partidárias. Viram o mundo inteiriço como uma pátria só. Tiveram, como religião, a Fraternidade e como ofício místico beijar as lágrimas dos perseguidos – sem preconceito de colocar sobre seu peito a face de negros e brancos, índios ou asiáticos.
“Amaram, plantaram rosas na jornada e caminharam, exemplificando a libertação dos passos humanos. Este foi e é o epitáfio comum a todos os vagamundos que passam e passaram pela Terra: ‘Se não pude se totalmente livre no mundo, libertei-me pelo Amor’.”
Incluímos estas palavras de Ajax, o velho andarilho de “Canção do Vagamundo” –  obra de Luiz Goulart que bem retrata sua concepção de vida e liberdade: 
… “Toma tua bolsa e tua capa
E sai pelas estradas.
Em algum lugar teus passos chegarão.
Não esqueças de abrir a túnica
E soltar pássaros brancos
Sobre o sangue das guerras.”

PEQUENA BIOGRAFIA. Em 1984, escreveu Alfredo Serra Filho:
Sua personalidade é cristalina. Declara-se integralmente como é a qualquer pessoa que com ele conviva. Se pudesse escolher a imagem do verdadeiro amigo, me lembraria de Luiz Goulart. Vou recordando sua figura tão natural e penso: em verdade, o que poderíamos dizer de um poeta tão humano, trazendo o sol no peito?” Melhor então começar por esta síntese biográfica de Máximo Ribera:
Luiz Goulart nasceu na cidade fluminense de Vassouras, em 25 de setembro de 1920, e residiu no Rio de Janeiro, onde criou o Movimento pacifista-cristão Corrente da Paz Universal. Foi o principal orientador e produtor das linhas mestras deste Ideal de Paz e Não-Violência – com apoio de equipe formada em muitos anos de trabalho diuturno, seja no estudo e divulgação das ideias ou nas atividades da Instituição.
Homem de grande experiência nas áreas psicológica e sempre voltado para as questões humanas, congregou grande número de pessoas em torno de milhares de palestras e programas de rádio, conduzindo o ser humano à Paz.
Luiz Goulart ficou conhecido como pintor, poeta, escritor – e toda a sua existência (1920/2002) foi dedicada à pesquisa da alma humana, da natureza e do cosmos. Sua obra é vasta: parte dela compõe o acervo artístico e cultural da Corrente da Paz Universal.”
Luiz Goulart veio ao mundo com a firmeza de caráter, própria de um pacifista-cristão; com a largueza mental de um livre pensador; com a voz e inspiração de poeta –  trazendo a luz bastante incomum de um espírito que empresta graça a todo ambiente, com a sua presença, provocando o gosto de pensar sentindo, ou de sentir, pensando…. Foram essas as qualidades essenciais que marcaram sua missão no mundo. Para nós, da Corrente da Paz Universal, ele é o nosso Instrutor, inspirado nos ensinamentos da Sabedoria Antiga – e tudo o que hoje retransmitimos passa pela sua linha de pensamento essencialista.

O PINTOR
UM CASO À PARTE NA PINTURA.  Desvencilhado das escolas convencionais, Luiz Goulart se tornou um caso à parte na pintura: à primeira vista, pode-se dizer que sua obra parte do Impressionismo, como meio de expansão, e do Simbolismo como concepção. Bom é reler o que ele escreveu sobre sua própria arte:
“Sinto-a como o desdobramento gráfico do inconsciente. O homem artista não é diferente do garoto que fazia garatujas no papel de pão e até nas paredes, a giz e carvão. O impulso criador é o mesmo. Numa análise mais profunda, todos são artistas… Quantas criaturas escondem telas magníficas, apenas realizadas no campo mental?
“Há um mundo contemplativo, independente do mundo realizado. Só não entende o que afirmo quem tenta dissociar o homem de sua Alma. Eu coloco a Alma como antecedendo o objeto observado, isto é: minhas funções psíquicas existem, independente das telas brancas ou pintadas por meus pincéis.”
Sobre técnica e sensibilidade, comenta ainda o Instrutor:
“Afirmo que a Arte não é a técnica. Minha obra é a unificação da técnica à sensibilidade. Quanto menos o homem lutou para objetivar o subjetivismo estético, mais admirou seu próprio trabalho. A presunção pelo pouco conseguido é próprio da mediocridade. Leonardo da Vinci costumava escrever em seus estudos: ‘Está bom. Resta fazer melhor, uma segunda vez.’.
“O valor de minha realização pictórica está no ato sincero. Meu corpo é a máquina capaz de executar tecnicamente a arte que sonho. Tolice é encaminhar de modo materialista a questão da sensibilidade: ao artista cabe a auto dialética, ou seja, o diálogo com seu próprio Eu Estético. Creio na alma sonhando para dar material sensível à plasmação estética…”
FALAM OS CRÍTICOS. Sobre o pintor Luiz Goulart, vale transcrever o que disseram os críticos de arte:
 “Luiz Goulart colocou sua obra a serviço da revelação espiritual. Com humildade missionária procura, nos fundamentos místicos da arte, uma integridade linguística imediatamente ética. Sua pintura atual transmite a imagem de um mundo filtrado de silêncio, respeito e magia – e vai reavaliando figuras mitológicas, nas quais a intimidade com a natureza é a maior prova de força. Seus seres não são poluídos, nem corrompidos pelo mal. São expressões simbólicas das virtudes humanas, quando não de circunstâncias, sombrias ou luminosas, através das quais o homem reina e consuma seu transe emocional.” (WALMIR AYALA)
Há cerca de trinta anos acompanho a atividade pictural de Luiz Goulart… Sem pertencer a grupos, igrejinhas e toda sorte de meios publicitários, a cada ano ele realiza nas telas o que poderíamos chamar de ‘a materialização de seus sonhos’. Sim, em muitos aspectos faz de sua pintura uma concreta manifestação onírica.
“Desenhista que sabe lidar com as tintas – o que nem sempre acontece a outros – Luiz Goulart não deturpa nem copia fielmente o que desperta em sua aguda sensibilidade a curiosidade da perfeição. Distinga-se, antes de tudo, o alto sentido teosófico em muitos de seus trabalhos. A transcendência das formas convencionais, neles recriadas, indica desde logo um espiritualista.” (H.P. DA SILVA)
Resenha do pintor e desenhista
Luiz Goulart possui inúmeras láureas, incluindo premiações e medalhas do salão nacional de belas artes, do ministério de educação e cultura, sociedade brasileira de belas artes, sociedade dos artistas nacionais, associação dos artistas brasileiros, academia brasileira de belas artes e medalha de ouro da sociedade de desenho.
Em 1983 expôs em roma, itália, a convite do consulado do vaticano. Por muitos anos foi desenhista, ilustrador de inúmeros jornais e editoras, destacando-se nas ilustrações em quadrinhos da” vida de jesus” e da “bíblia sagrada”.  Deixou instruções de cunho pedagógico para a arte de desenhar, especialmente nas obras “caricatura em 20 lições” e “curso de desenho para crianças.”

O POETA E O ESCRITOR
INAÇÃO CRIADORA. O poeta Luiz Goulart nunca esteve longe do escritor; nos conteúdos de teor místico-filosófico ou teosófico de algumas de suas obras, como “DIÁLOGOS ESOTÉRICOS”, “O PODER MÍSTICO DA VIDA” ou “CURSO DE FILOSOFIA E CIÊNCIA DA ÍNDIA” – ali está o selo do gênio criador. Sua mais bela expressão está, sem dúvida, na obra INAÇÃO CRIADORA. Este pequeno livro, de forte conteúdo, despertou a atenção, nos idos de 1974; pelas metáforas e imagens simbólicas que sintetizam a norma filosófica de seu humanismo, o saudoso e sábio Edmundo Cardillo não escondeu a admiração:
“Como quem penetra as galerias subterrâneas do ser humano, à busca do veio aurífero de seus primores, Luiz Goulart nos apresenta essa maravilha que se chama Inação Criadora, o lugar geométrico da luz e da paz.
“Inação Criadora é harmonia perfeita entre o Eu, polo interno da Individualidade, e o Ego, polo externo da personalidade. Uma convocação para a centralidade da criatura humana, quando a vemos agora empolgada pelos artifícios da exterioridade tecnicista… Diz Luiz Goulart: ‘na praça do mundo há deuses de barro em forma de homens; e há sombras de argila oprimidas pelos deuses de barro’ e … ‘todos os que tentam assumir posição de possuidores perdem a Inação Criadora, pois o que se pensa ter é uma forma de domínio para o lado de fora…’
Luiz Goulart, com seu maravilhoso livro, longe de ater-se à tecnologia, que mais tem aberto cemitérios do que jardins para as nossas crianças, acaba de plantar uma árvore cujas flores hão de perfumar o caminho do viandante. Inação Criadora é o catecismo da Evolução.” (EDMUNDO CARDILLO)

JUVENTUDE E OUSADIA. Luiz Goulart possuiu o mérito de ter escrito aos dezenove anos, durante a última Grande Guerra, profundo poema pacifista-cristão: o POEMA DA ANGÚSTIA UNIVERSAL – que, em mais de mil versos, mostra os desenhos de um doloroso retorno à barbárie e apresenta o caminho novo para a Humanidade percorrer, caso abra seu coração à paz. Este espírito de santa rebeldia o animou, por toda a vida: as publicações “Mensagem de Paz”, “A Musa Social”, “Casa da Poesia”, ou mesmo a “Mensagem de Luiz Goulart”, que mantemos circulando até hoje, foram instrumento para a retransmissão de seu Ideal de Paz ao mundo.
POR AMOR À POESIA. Nosso Instrutor foi também incansável divulgador da poesia verdadeira; incentivador das novas gerações, criou a CASA DA POESIA (1980) – um encontro para declamação e expressão livre do pensamento poético, em música ou em verso. Também idealizou a publicação dos SONETOS PARA EMOLDURAR – coletânea de 20 pranchas com sonetos de autores portugueses e brasileiros, impressos e ilustrados a nanquim pelo seu talento de desenhista. Sobretudo incentivou a prática da POETICOTERAPIA, que desde 1980 começou formalmente a aplicar como instrumento poderoso de harmonização interior, assim por nós preservado em nossa vida diária e nas oficinas da Casa da Poesia.

O LEGADO DO ESCRITOR
O Caminho da Paz Interior e Conduta do Iniciado 5ª edição, 1985 / Átomo Vital, 1977/ Cartas de Sandro, 1978 / Canção do Vagamundo, 1978/ Palavras para teu Silêncio, 1963 / Inação Criadora, 1974 / Cartas de Meu Silêncio, 1969 (5 volumes, nº 2 e 3 esgotados) / Diálogos Esotéricos, 1992 / Psicologia Essencial (fascículos), 1984/ O Báb,  1990 / Método Psicocrístico, 1992 / Palestras de Luiz Goulart, 1994 ( 2 fascículos – esgotado) / Plotino –  o Filósofo da Essência, 1996 / Por que existe a Guerra?, 1991 / Roteiro para a Vida, 1998 / A Arte de Bem Viver, 1999 / Fonte da Juventude, 1999 / O Pássaro Verde, 1994 / O Eu – o Ser Oculto, 1988 / Chaves Básicas do Universalismo Esotérico, 1994 / Essencialismo, 1995 / Pensamentos de L. Goulart, 1989 (esgotado) / Estrada de Luz, 1961 (esgotado) / Amor e Unidade e Sementes do Lago de prata, 1962 (esgotado) / Curso de Filosofia e Ciência da Índia, 1985 (fascículos – esgotado) / O Egito e seus Mistérios,  1984 (fascículos – esgotado) / Poder Místico da Vida, 1990 (fascículos – esgotado) / ABC do Conpanheirinho2ª edição, 1983 (infantil – esgotado) / Mestre Simão, 1987 (infantil – esgotado) / Menina Esperança, 1987 (infantil – esgotado) / O Menino que Adormeceu o Tempo, 1987 (infantil – esgotado).
Minilivros
1001 Pensamentos de Luiz Goulart, 1994 (4 livretos) / A Cura Direta por Deus, 1980 / As Três Portas, 1996/ Os Sete Grandes Mestres, 1996 / O Karma , 1994/ Estrela Consoladora, 1969 / Autorrealização Consciente -Método Prático e Musicoterapia Mística, 1982 / Coleção Universalismo, 1985 (7 livretos) / Migalhas do Santuário, 1969 (esgotado) / Criança, Flor e ternura, 2ªedição, 1983 (esgotado) / Meditação Dia a Dia, 1969 (esgotado) / Teoria e Prática, 1975 (esgotado) / Voz Interna, 1976(esgotado) / Desperte Feliz,  1976 (esgotado) / Felicidade Interior, 1976 (esgotado).
Poesia
Meu País de Lá, 1971 / Canto Novo, 1975 / Poemas Místicos, 1988 / Ave Ferida, 1998 / Terra Traída, 1998 / Trovas de Todos os Temas, 1995 (3 livretos) / Poema da Angústia Universal, 1959 / ABC do Sentimento, 1984 / Poesia Completa, 1994 (fascículos) / Sonetos para Emoldurar (20 pranchas) / Pequena Antologia Poética, 2009 / Dicionário Poético das Palavras, 1989 (esgotado) / Trigal da Esperança, 1969 (esgotado) / Castelo de Plumas, 1951 (esgotado) / Sementes do lago de Prata( poema longo no livro Amor e Unidade), 1962 (esgotado) / Canto da Estrada, 1969 (esgotado).

O RADIALISTA
Por quase 30 anos Luiz Goulart teve programas nas rádios Mundial, Mauá, Rio de Janeiro, Carioca, Copacabana e Fluminense, em períodos alternados –  desde o final da década de 50 até à década de 80. Sua primeira série de programações, de apenas três minutos – “Entre o Céu e a Terra” – apresentava a leitura de uma página e o convite para a reunião, onde o valor da Paz e da Não-Violência já era transmitido, num poético chamado à reflexão. Sem nenhuma dúvida, a mensagem radiofônica foi, à época, o melhor instrumento de divulgação do Ideal de Paz.

“PALAVRA DE AMOR TAMBÉM É CARIDADE” – Assim costumava afirmar o Instrutor, em todas as suas preleções. Sua voz inconfundível, anunciadora da “Mensagem de Paz”, era também instrumento para o serviço social – pensando não só na possibilidade do auxílio moral e psicológico ao ouvinte, através dos telefones do “Plantão da Fraternidade” * – como também para solicitar, através do rádio, auxílio especial às crianças e velhinhos do Lar Fabiano de Cristo, na provisão necessária de alimentos, remédios, roupas, cadeiras de rodas etc. Ele foi um dos colaboradores para o trabalho eficaz desta Instituição – e dela recebeu auxílio para a manutenção da “Mensagem de Paz” **, por muitos anos.
*nas décadas de 60 e 70, os telefones do movimento pacifista idealizado por Luiz Goulart ficavam disponíveis 24 horas por dia, para atendimento solidário de quem precisasse conversar – ou para se colocar nomes no Livro de Preces. Esse tipo de assistência serviu de modelo a outros trabalhos similares, na época.
**os primeiros encontros e publicações tiveram o título de “MENSAGEM DE AMOR UNIVERSAL”.

MENTALIZAÇÃO DA PAZ.  Nas décadas de 70 e 80 já era bem conhecido o programa radiofônico da Corrente da Paz Universal; chegou a ser apresentado em dois e até em três horários ao dia, na rádio Copacabana. No encerramento, nosso Instrutor unia mentes e corações em torno da mentalização de um globo azul, com a palavra paz, em caracteres dourados, ao centro: um símbolo que usou conscientemente para contrabalançar fixações mentais de imagens trágicas e dolorosas que a violência e a guerra acarretam.  Hoje, a “Mentalização da Paz” * está em nosso site, é praticada nos dias de reunião, na sede da Corrente da Paz Universal –  e diariamente ao meio dia, quando nos unimos mentalmente para enviar vibrações de paz para toda a humanidade.
*O símbolo do GLOBO AZUL DA PAZ foi apresentado intuitivamente a Luiz Goulart em1940, em plena época da Segunda Guerra, com a solicitação de que fosse divulgado; já ajudou milhares de criaturas, além de gerar formas-pensamento que favorecem a harmonia da espécie humana.
Luiz Goulart realizou, por toda a vida e sem descanso, milhares de programas, retransmitindo o fundamento filosófico de seu pacifismo cristão, todo feito de liberdade, igualdade e fraternidade; na Corrente da Paz e em outras Instituições falou a um sem fim de ouvintes que se beneficiaram com a passagem de sua missão na Terra: reunir corações em torno do Ideal de Paz.  

O INSTRUTOR E O CONFERENCISTA

UM TALENTO NATO. Desde menino Luiz Goulart fazia discursos para tias e irmãs, encantadas com a força expressiva da palavra, que mais se expandiu nos encontros literários da juventude. Em meados de 1957 já participava da Sociedade dos Artistas Nacionais, no porão do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro: era o secretário e orador oficial da entidade, também frequentada por Carlos Torres Pastorino – de quem veio a se tornar amigo da vida inteira.
Pastorino, ex-padre, teólogo e filólogo, coordenava semanalmente um grupo de estudos espíritas sobre a interpretação do Evangelho – e convidou Luiz Goulart para trazer sua colaboração de livre pensador, instruído na Teosofia e inspirado pesquisador da simbologia arcaica. Neste grupo haveria de encontrar Elvira de Meneses Góes*, que aceitou seu apelo para trabalharem juntos pela paz no mundo.
*Elvira e Jorge Lafayette Muñoz formaram, à essa época, o equilíbrio das colunas – do pensamento e do sentimento: Ele, para a execução da logística de reuniões e de publicações; ela, para a compilação do material falado e escrito pelo Instrutor.
A IDEIA E O LOCAL DO ENCONTRO. Logo se formaria o primeiro grupo de amigos com esta intenção: juntos, uniriam esforços para editar, em 1958, “O Caminho da Paz Interior” – e fundar, em 14 de dezembro de 1959, o GRUPO ESPIRITUALISTA MENSAGEIROS DA PAZ” (GEMP). Tinham agora um lugar instituído para os encontros dos companheiros, à Rua Barão de Iguatemi, 89, na Praça da Bandeira. Pelo início da década de sessenta este pequeno galpão foi se tornando pequeno: o público, que se tornou cativo dos programas radiofônicos, lotava as reuniões, atraído pela proposta do cultivo da paz interior.
A SEDE PRÓPRIA. A Instituição cresce, na medida do crescimento da retransmissão da Ideia * – e, em 1966, no dia 13 de setembro, seu novo nome estará mais de acordo com a Mensagem:  o Grupo Espiritualista Mensageiros da Paz daria lugar à CORRENTE DA PAZ UNIVERSAL. Em 1970 se estabeleceria em sua sede própria, à Rua Senador Dantas, 117/ cobertura 03 – no centro da cidade do Rio de Janeiro. Para ajudar a honrar os pagamentos das parcelas, o Instrutor chegou a fazer três palestras por semana, com todo o entusiasmo – e muitos destes estudos apostilados como Diálogos Esotéricos, Curso de Filosofia e Ciência da Índia, Psicologia Essencial, por exemplo, se tornaram obras conhecidas e procuradas pelo grande público.
*Luiz Goulart falava da expansão necessária para o entendimento da Mensagem: “Nada foi inventado por nós; o que fazemos é filtrar os ensinamentos de nossos Maiores, adaptando-os à linguagem ocidental… Isso proporciona, como um primeiro degrau, melhor acesso à Sabedoria das Idades e possibilidade de se aplicar tal aprendizado à vida diária.”

O CRESCIMENTO DA RETRANSMISSÃO – PRIMEIRO MOMENTO. A Mensagem volta os olhos para O Caminho da Paz Interior. Como está no livro: “Em dado instante da vida, todo ser deseja encontrar o caminho da serenidade. Ou porque já se sente cansado da existência, ou porque não encontra, no modo de viver, nada que condiga com a aspiração trazida no cofre de sua alma.”
Nosso Instrutor tinha um compromisso: trazer a força da paz e da não violência para proteger a saúde psíquica, nesses duros tempos que haveriam de vir; toca com o Sentimento a grande angústia humana, aliviando-lhe o peso, ao permitir perceber que suas maiores e verdadeiras possibilidades vêm da vida interior e da alegria de compreender.
A par dos estudos cosmogônicos da manifestação da vida, da evolução e suas leis, presentes nos ensinamentos dos grandes Mestres da humanidade – o Instrutor privilegiou, em sua Mensagem, o “CONHECE-TE A TI MESMO”, apresentando a redenção de toda a peregrinação humana na autorrealização consciente … através dos passos do Desprendimento, da Concentração e da Pacificação.
SEGUNDO MOMENTO. Nessa busca, foi imprescindível o Esoterismo – como investigação para se ter as chaves interpretativas e a leitura correta e intuitiva – tanto do sentido simbólico e oculto dos textos e alegorias, como também para o entendimento dos ciclos do Eterno Movimento. Em verdade, o esoterista estuda e analisa, sem criticar… “e descobre, no anseio místico dos religiosos da Terra, um só Espírito *, com multiplicidades de voos” (LG).  O Instrutor já havia exposto o pensamento místico do passado da Humanidade, nos “Diálogos Esotéricos” (década de setenta) e no longo e seríssimo “Curso de Filosofia e Ciência da Índia”; movendo-se nessa direção, a Mensagem tomou outro mais amplo salto em sua retransmissão.
*Este será o motivo, como fio contínuo, em todos os momentos do desabrochar da mensagem.
TERCEIRO MOMENTO. O estudo do Universalismo Esotérico (segunda parte da década de oitenta) cabe muito bem à Mensagem espiritualista que une a consciência do Homem à Consciência Cósmica, no sentido de Unidade Espiritual; esta compreensão torna a unir o que estava aparentemente separado e propicia a graça de perceber o mesmo Alento movendo o sentimento místico das grandes religiões da Terra….  Bahá’u’lláh, o profeta persa da Unidade (séc. XIX), chamou a este entendimento de Religião Universal; Luiz Goulart o denominou de Universalismo – a Religião mais condizente com as necessidades espirituais do terceiro milênio. O Universalismo, na verdade, respeitando as religiões, convida o coração dos religiosos ao apercebimento da Unidade –  que já nos estudos da filosofia esotérica foi tão apreciada. Equilibrava-se aqui o pendor do que investiga e a aspiração mística, a cabeça e coração da Mensagem.
QUARTO MOMENTO. No início de 1987, Luiz Goulart declara que a grande Mensagem, para esse tempo, busca a essência da luz que ilumina a inteligência humana…(continua)

O PENSADOR

A PROPOSTA DA QUIETAÇÃO. A Mensagem de Luiz Goulart foi sal da vida e exemplo de amor à humanidade. Como ele mesmo declarou um dia: “Nasci para aliviar o mau carma de meus irmãos.” Trazia o selo missionário de lembrar a cada ser humano a importância de se cultivar aquela “paz que o mundo não pode dar” – sentindo, ainda na terra, o céu de um estado de consciência feliz.
Nosso Instrutor se referia ao único caminho possível à verdadeira realização: ele se inicia quando escolhemos um instante ou alguns instantes do dia para serenar pensamentos, sentimentos e emoções; então, com o auxílio de respiração harmoniosa, pode-se abrir espaço para a paz. Num desprendimento consciente e leve concentração, pouco a pouco a pacificação aflora… Momento de plenitude, que revela a Vida interior. Daí por diante a referência do Santuário do Coração será alento e inspiração para o buscador sincero, tanto nas menores quanto nas maiores questões da existência.
A AUTORREALIZAÇÃO CONSCIENTE. A finalidade da filosofia de Luiz Goulart é a autorrealização consciente: em permanente dualidade, a consciência do homem ora se densifica, numa característica inferior e instintiva – própria da personalidade; ora se sutiliza, superior e intuitiva, afinada com a individualidade… Essa inquietação entre o Ego da personalidade e o Eu da individualidade, por fim, se neutraliza quando a consciência superior conquista o meio de iluminar e educar a natureza do homem, pela luz da Inteligência.
“O CAMINHO DA PAZ INTERIOR”. Eis o título da obra de maior divulgação, já na 5ª edição, escrita por Luiz Goulart em 1958 – e que guarda o cerne de sua Mensagem: pensando nas necessidades da alma humana, que vive ansiosa por encontrar serenidade, convida o leitor a compreender as três portas simbólicas que conduzem à autorrealização consciente: o desprendimento, a concentração e a pacificação. Esta última oferece, ao ser que medita, plena sintonia com a “maravilhosa atmosfera no coração da Paz.” *
*Na segunda parte do livro, o Instrutor cuidou de registrar a “Conduta do Iniciado” –  certas reflexões para o autoconhecimento que tornam mais leve a convivência com o outro e consigo mesmo. Também estão aí preciosos temas para a vida diária do Caminhante – uma série de mensagens divulgadas através da imprensa, programas de rádio e de palestras públicas, que o autor realizou no Rio e em São Paulo.
O DESPRENDIMENTO. Eis a primeira porta da autorrealização – trazendo o entendimento da necessária diminuição dos desejos. Disse Luiz Goulart: “Do muito desejar imediatamente vem o tudo perder. Cada qual perde na medida do que desejou… O muito desejar acarreta grande sacrifício ao ser, e logo traz consigo muito sofrimento; e o sofrimento, desassossego e intranquilidade…  O primeiro a ficar prejudicado é o pensamento.”
A CONCENTRAÇÃO. Luiz Goulart clama pela vida interior, para que o indivíduo logre a concentração – segunda porta para a autorrealização: “É o estado de equilíbrio perfeito … No meio do maior tumulto do mundo, em face de nossas necessidades físicas e de nossas dores do corpo e da alma, a concentração mantém o ser em harmonia com suas forças superiores. Aí então ele pode tornar-se médium de sua própria espiritualidade… A concentração absoluta permite o alcance do campo síntese – onde, em essência, o Universo se torna a Unidade. Porque o Homem e a Vida são um.”
A PACIFICAÇÃO. Esta Unidade se revela na paz. Essa terceira e última porta, a da pacificação interior, é integração na luz; é a porta da revelação, do encontro definitivo com o Cristo Interno. “O amor desce ao íntimo e permanentemente vibra, fazendo com que o ser terreno seja apenas o “carro do Senhor”; Ele dirige seus corpos, outrora intransigentes e dominadores. A vontade agora faz-se sentir sem o aguilhão do esforço, para irmanar-se ao Deus Interior.”
A PAZ UNIVERSAL DEPENDE DA PAZ INTERIOR. Luiz Goulart nunca pensou na paz como um beneplácito para vivermos isolados do mundo. Muito ao contrário: curados da enfermidade, podemos participar conscientemente da graça de viver, pela expressão da não-violência – e contagiar, pelo bem, os irmãos da família humanidade. Assim ele definiu esse processo:                       
O gérmen da guerra está presente em cada indivíduo. Precisamente é neste ponto que tem início o valor da paz interior: para que seja possível a paz mundial, é necessário que cada criatura se autopacifique.” Só assim – enfatiza – a raça humana será realmente humana, e não animalesca e autodestruidora.

 PENSANDO NA FAMÍLIA HUMANIDADE. Nos comovemos ao escrever este relato: Luiz Goulart nos deu o exemplo da simplicidade, na prática diária de seu dia a dia. Ele era natural, alegre e bastante positivo… Veio provocar a busca de uma nova consciência e nos libertar do preconceito, do cultivo cego de antagonismos, de nos contentarmos em apenas não fazer mal; deixou-nos encabulados com a natureza do desejo egoísta de nos manter a salvo, sob certa proteção e instrução privilegiadíssimas… Em verdade, toda criatura faz parte de uma só Família – o gênero humano! –  e o que recebe como esclarecimento não será para nutrir sua vaidade e a demonstração farisaica de poder, mas para melhor servir ao coração da humanidade. Disse Luiz Goulart:
“Penso em milhares de amigos irmãos… Alegra-me saber que a felicidade espiritual que sinto, eles também a possuem, interiormente, felicidade que nasce da abertura da mente, quando se tem a liberdade de estudar, sob as chaves ocultas da Simbologia Eterna, a causa real dos fenômenos da consciência do ser humano e dos mistérios da natureza!”

DESABROCHAR DA MENSAGEM. Foi esta a mola propulsora, o entendimento fundamental que levou Luiz Goulart a abraçar sua missão, retransmitindo a Mensagem de Paz para o mundo. Mas como apresentá-la? Tal qual um remédio poderoso que precisa ser ministrado com critério, foi inspirado a anunciá-la, respeitando o suave desabrochar das consciências.

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