Corrente da Paz

Pensamento do Dia
Corrente da Paz
Jornal Mensagem
 

Palavras Iniciais

Grande parte da matéria deste site está baseada na obra escrita do professor Luiz Goulart (1920–2002), fundador da Corrente da Paz e grande pesquisador nas seguintes áreas: Filososofia, Psicologia, Sociologia, Parapsicologia, Ocultismo, Orientalismo, Religiões Comparadas, Literatura. Além de pensador, foi poeta e pintor, com prêmios no Salão Brasileiro de Belas Artes, entre outros, tendo deixado uma vasta obra. Sua equipe continua seu trabalho, ampliando as pesquisas por ele iniciadas, principlamente no setor referente à melhoria da qualidade de vida do ser humano.


Iniciamos nossas páginas com esta
abertura do livro de Luiz Goulart,
O CAMINHO DA PAZ INTERIOR:

O Chamamento

Em dado instante da vida, todo ser deseja encontrar o caminho da serenidade. Ou porque já se sente cansado da existência, ou porque não encontra no modo de viver, mesmo sem julgar-se vítima, nada que condiga com a aspiração trazida no cofre de sua alma.

Os homens, tocados por estranhos desejos em face da Eternidade, são como determinadas aves que, sem saberem por que, emigram durante o tempo de certas estações para longínquas terras em busca de misteriosos pousos... Realmente, poucos são aqueles que não trazem, nos ouvidos do espírito, o chamamento constante de vozes espirituais. E poucos não trazem, nos olhos da visão interior, paisagens e figuras de inefável doçura, que juram jamais encontrar nas cidades ou nos caminhos tortuosos deste mundo... Por isso talvez, como as aves aflitas, muitos buscam nas metas das religiões o roteiro para os vôos indispensáveis às asas do misticismo.

Todos têm o seu dia

Os demais, aparentemente indiferentes ou descuidados das questões do além do conhecido, encontram-se fatalmente ante um fantasma indecifrável para o concretismo de suas mentes. Todos têm o seu dia.

Independente da dor que leve a meditar há, com relação ao campo da amplidão do ser, a atração natural do abismo que, se não seduz, amedronta os mais céticos senhores, julgando perder a dignidade ao afirmarem que acreditam na chama eterna da alma...

Na verdade, na alma do crente ou no coração do cético mora a mesma inquietação. O primeiro, certo dos desígnios impostos por sua divindade adorada, vibra tanto quanto os chamados "materialistas" ilhados num mar de interrogações.

Assim é o ser humano

Mas assim é o ser humano... Estranhíssimo e complexo. Sua vida é amalgamada num misto de piedade e de ironia: um sábio e um ignorante, um anjo de luz e um demônio de sombras. Olha para o céu e enchafurda-se na lama; beija entre lágrimas os olhos de seus filhinhos e mata os filhos dos outros nos campos de batalha; suas mãos afagam e apedrejam; seus lábios sorriem e sua boca espuma; ora e blasfema; renuncia e rouba; cura e envenena; esculpe filigranas e destrói cidades; luta pela verdade e calunia; escreve livros e queima bibliotecas; prega o perdão e vinga-se; ama os animais e devora-os; semeia o campo e derruba florestas; defende o fraco e humilha o débil e, finalmente, usa a razão e age como louco...

Assim é o homem. O mais contraditório ser. É mortal e eterno; vive na terra e alça-se ao infinito; é luz e sombra; é matéria e energia. Está perpetuamente preso à razão dual de sua vida: uma, fugaz como o raio; outra, eterna como o Sol.

Dois seres num só: um homem de carne, outro de centelha; um, pouco conhecido; outro, apenas pressentido.

Na sua vida de argila animada encontra-se prisioneiro entre duas janelas de grades que delimitam o seu entendimento: o nascimento e a morte.

Aceitar o ser humano como ele se apresenta é compreender o maior milagre da Vida. Porque sua própria existência é prova patente da realidade das sombras e da verdade da luz!

A voz interior

Este aspecto da dualidade do ser torna-se, no decorrer deste estudo, a base dos meios escolhidos para assinalar, em face da existência, o caminho da serenidade.

Voltando novamente à atmosfera da luz espiritual, que ilumina as almas, lá se encontra a alma que anseia retornar a algum rincão deixado na bruma do mistério... Enquanto a voz interior continua a chamar para o estado de quietude, onde não mais seja sentida tão definidamente a ação do dualismo, que tortura e dilacera o coração humano.