Texto e ilustração de Luiz Goulart
Ninguém é inútil, nem prejudicial. Não levantemos contra o próximo conceitos definitivos. No coração de cada ser, segundo as experiências colhidas, há sempre a esperança de mudanças que fogem ao nosso entendimento. As primeiras impressões podem modificar-se, causando-nos o remorso de juízos temerários. O tempo é o buril na mão da vida e as atitudes de cada ser são impulsionadas pelas tendências trazidas de berço, faltando a muitos as experiências que sobram a tantos outros.
Cada um vê através das lentes do temperamento e da educação recebida. Cada pássaro canta a música de sua espécie. Tenhamos paciência. Os ponteiros não marcam horas iguais para todas as criaturas. Umas riem, enquanto outras choram. As experiências desiguais, das lágrimas do riso e das lágrimas de tristeza trazidas dentro d’alma, fazem com que o desentendimento domine as relaçôes.
Sentindo as limitações humanas, Jesus, em sua sabedoria, nos deu a chave do perdão, a fim de que a aplicássemos sempre sem julgar. Algo existe oculto que foge ao humano entendimento. Razões misteriosas determinam as atitudes.
O mundo é uma trama de caminhos que se cruzam; cada caminhante traz no coraçao experiências e razões para os atos de sua existência, e cada um vai bordando na areia do caminho o desenho de sua vida. Somente Deus com seus olhos de luz eterna pode descobrir o motivo secreto que tentamos adivinhar no coraçao alheio, através de julgamentos parciais, esquecidos de que também fazemos parte desta trama e que igualmente deixamos marcas ocultas que só o olhar do Infinito pode traduzir.